Viajar serve para quebrar o comodismo que cega os dias. Para renovar as energias, romper a rotina, mudar o ritmo, para se desligar de tudo, desacelerar. Viajar serve para respirar.
Viajar serve para sair da bolha, para perceber
outros modos de enxergar o mundo, tentar compreende-los e entender que a sua
visão de mundo também é relativa. Viajar é um ótimo exercício de respeitar as
diferenças. Viajar serve para mudar o corpo e a alma, para
perder os medos, para passar apertos e ver como você lida com imprevistos no
caminho. Viajar serve para desapegar, para ver que o que é supérfluo pode virar
peso e atrapalhar a caminhada. Viajar serve para experimentar sabores,
texturas, para quebrar conceitos, para descobrir maravilhas que você nem
imaginava. Viajar pode servir para aprender novas
línguas, para aprender a se comunicar de diferentes formas, com diferentes
pessoas, de diferentes culturas, classes, idades…Viajar serve para silenciar.
Viajar serve para ler um livro inteirinho de
uma vez só.
Viajar serve para olhar paisagens pela janela
e ir longe em um pensamento, tentando assimilar o que aconteceu na vida e no
atropelo dos dias não deu tempo de entender. Viajar serve como autoanálise, ou
análise em grupo, quem sabe… Viajar também serve para não pensar em nada,
admirar o que a vista alcança e onde os pés tocam. Viajar serve para fazer
trilha. E também serve para se perder numa cidade grande e desconhecida. Viajar serve para ver as belezas do mundo e as
realidades encobertas.
Viajar serve para perder a identidade (nem que
seja temporariamente) e para deixar de ser entendida, para sentir o gosto bom
de ser estrangeira, livre e desprotegida. E para se tornar uma criança de
novo, aprendendo a decodificação do mundo do começo. E perder a própria
personalidade por não conseguir se fazer entender, ou aprender a lindeza da
linguagem corporal e conseguir revelar a própria alma pelo olhar. Viajar serve para aprender a entender almas
pelo olhar.
Viajar serve para esquecer uma pessoa, uma
história, uma dor… Viajar serve para lavar a alma, para sair de um ciclo
vicioso, para interromper o destino e (des)construir a própria história. Para
colorir a existência, limpar o pensamento, mudar de assunto e desvendar
caminhos alternativos. Viajar serve para finalizar. Viajar serve para
recomeçar. Viajar pode servir para se apaixonar, para
mergulhar em algo sem regras, para descobrir outros olhares, para sentir à flor
da pele novas sensações, encontrar outros colos, outras falas, outras amizades. Viajar serve para fazer amigos, amigos de
andanças, amigos que seguem nessa viagem e depois partem, amigos que ficam pra
vida toda. Viajar serve para reencontrar amigos antigos,
amigos perdidos por aí. Viajar também serve para levar o melhor amigo junto e
estreitar os laços. Viajar serve para passar a limpo, ou para
começar outro capítulo desse livro chamado vida. Para celebrar o novo, e para
dar valor ao velho. Viajar serve para sentir saudades de sua
terra, de sua gente, de seu país, de sua comida, de sua família, de quem você é
no seu amado (e nem sempre fácil) círculo. Viajar serve para se perder e se encontrar.
Viajar serve para se resgatar ou se reinventar. Viajar serve para ter vontade de voltar. Ou, quem sabe, de ficar (na estrada).
(Clara Baccarin)































