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30.6.15

Para que serve a poesia?

Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?

(...) Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo 'Veja bem…' e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável.
Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.

(Martha Medeiros)


27.6.15

A procura...

Se eu pudesse voar num balão, iria bem alto, lá onde os pássaros flutuam sem nenhum esforço amparados pelas correntes de ar, veria quão pequenos se tornariam todos os problemas da vida quando vistos por outro ângulo, mesmo que de perto pareçam tão grandes, pois sinto que estaria amparado pelos braços do próprio Deus.

Se eu pudesse navegar num veleiro ao redor do mundo, faria pausas solitárias por ilhas paradisíacas, deitaria meu corpo numa praia de areias brancas com o mar lambendo meus pés e escreveria na areia o mais breve poema de um verso só: paz... Só para senti-la antes que as ondas a apagasse, para me ensinar que na vida sempre haverá tormentas.

Se eu pudesse correr feito maratonista que vence todo o cansaço e limites do corpo para chegar à vitória, correria incansavelmente por montes e vales, pois sei que em cada canto haveria uma paisagem revelando pistas de onde encontrar o divino, posto que sua face se reflete na beleza dos caminhos.

Se eu pudesse escalar os mais altos penhascos e descer os mais profundos abismos, tocaria os céus e pisaria as profundezas da terra esperando alcançar as mãos do criador ou firmar meus pés na rocha que o representa.

Não podendo fazer nada disso, calo-me.

Então, percebo quão vã e efêmera é a vida, dispo-me do manto da arrogância e das vãs pretensões e reconhecendo minhas limitações prostro-me com o coração contrito sem nada dizer. Finalmente, descubro onde posso encontrar a verdadeira espiritualidade: num lugar bem dentro de mim chamado silêncio...

(Moacir Willmondes)


22.6.15

❀ ☆ Plante o bem ღ ✿

 Tem coisas que a gente junta, 
tem coisas que a gente espalha, 
mas somente o que a gente planta nos 
dará sombra nos dias seguintes...

(Sirlei L. Passolongo)



18.6.15

Morre-se por...

Com o tempo as pessoas vão morrendo. A morte do corpo, chega para todos em algum momento da vida. Todavia, alguns em vida, agregam outras mortes que exalam odores duvidosos e mata a existência num piscar de olhos. Morre-se por causa do egoísmo. Por exagero de pudor. Pela bisbilhotice aguda que lança mentiras. Pelas preocupações desnecessárias que enruga a alma. Pelas críticas ácidas que não constroem nada. 
Morre-se pela avareza. Pelo tédio. Pela displicência. Em meio a névoas das paisagens, morre-se pela cegueira de não enxergá-las. Morre-se prematuramente pela falta de encarar a vida com simplicidade. Morre-se por falsas deduções. Por exagero de ocupações. Pela falta de perdão. Por abortar os sonhos com a extrema realidade. Pela falta de coragem para o enfrentamento das situações adversas. 
Morremos diariamente pelo excesso de formalidade. Por vivermos espremidos em ideias e códigos estúpidos. Pelo preconceito que afasta todos os outros e subtrai a tolerância e o respeito. Pelos incômodos adereços supérfluos que nos faz pensar em superioridade. Pela covardia silenciosa que nos faz abandonar o outro em seu apocalipse solitário. 
Morre-se de autoflagelamento pelas erros involuntários. Afogado nas lembranças sem permitir seguir em frente. Pela desarmonia interior. Pelo imenso falatório e a falta do exercício de prática. 
Morre-se por subtrair afeto, somar intrigas, multiplicar dores. 
Embora vivo, morre o tolo, o arrogante, o impiedoso, o fútil, o preguiçoso, o irado. E nessa equação, morre quem vive de tarja preta para a vida, sem necessariamente precisar morrer o corpo. 

(Ita Portugal)

Arte: Duy Huynh

15.6.15

(A)colha...

Colha conchas. Colha amores. Colha flores. Colha estrelas. Colha sorrisos. Colha sentimentos bons. Colha oportunidades. Colha luzes. Colha olhares. Colha afetos. Colha o que for. (A)colha. Esteja atento para a vida. Colha carinhosamente os seus momentos. O resto, são apenas possibilidades. 

 (Lígia Guerra)


13.6.15

O Caderno...

Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno. Eu me recordo do meu. Com ele eu aprendi muita coisa. Foi nele que eu descobri que a experiência dos erros é tão importante quanto a experiência dos acertos. Porque visto de um jeito certo, os erros, nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras, porque não há aprendizado na vida que não passe pela experiência dos erros. Caderno é uma metáfora da vida. Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página, era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços, ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles a gente seguia um pouco mais crescido.
O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos. Erros podem ser fontes de virtudes. Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar a serviço do aprendizado, ele não tem que ser fonte de culpas, de vergonhas, nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande, sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. Uma coisa é a gente se arrepender do que fez, outra coisa é a gente se sentir culpado. Culpas nos paralisam, arrependimentos não, eles nos lançam pra frente e nos ajudam a corrigir os erros cometidos.
Deus é semelhante ao caderno, ele nos permite os erros para que a gente aprenda a fazer do jeito certo. Você tem errado muito? Não importa, aceite de Deus esta nova página de vida, que tem o nome de 'hoje', recorde-se das lições do seu primeiro caderno. Quando os erros são demais, vire a página...

(Pe. Fábio de Melo)


12.6.15

¸ღ¸ ¸ღ¸

Para vós invoco os prazeres que voam nos ventos e as alegrias que moram nas cores: beleza, harmonia, encantamento, magia, mistério, poesia: que essas potências divinas lhes façam companhia.
Que o sorriso de um seja, para o outro, festa, fartura, mel, peixe assado no fogo, coco maduro na praia, onda salgada do mar...
Que as palavras do outro sejam tecido branco, vestido transparente de alegria, a ser despido por sutil encantamento.
E que no final das contas e no começo dos contos, em nome do nome não-dito, bem-dito, em nome de todos os nomes ausentes e nostalgias presentes, de ágape e filia, amizade e amor, em nome do nome sagrado, do pão partido e do vinho bebido, sejam felizes os dois, hoje, amanhã e depois.

(Rubem Alves)

Aos que amam: Feliz Dia dos (e)namorados!

8.6.15

Voo

Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.

Voam as palavras como águias imensas.
Como escuros morcegos, como negros abutres, 
as palavras voam.

Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, 
em redor de nós as palavras voam.
E às vezes pousam.

(Cecília Meireles)



2.6.15

Circo clandestino...

Às vezes eu virava
a primeira bailarina,
e dançar debaixo da lona
com sapatilhas de prata
era como acender cristais
numa noite muito escura,
e ia voando, tocando estrelas,
domando as nuvens,
rodando o mundo,
no meu circo clandestino.

(Roseana Murray)



1.6.15

Questões da vida...

E o meu exercício diário continua sendo decifrar as questões que a vida me dá... 
É quase um malabarismo, onde manter a lucidez é imprescindível.
 Então vasculho todos os espaços existentes em mim, 
e percebo que não preciso de todas as respostas, 
basta não me fazer de desentendida e aceitar todas as perguntas.
O maior erro do ser humano não é o vacilo que muitas vezes comete,
 mas se submeter a cegueira para obter somente a resposta que lhe interessa...

(Fernanda Gaona)


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