Se eu pudesse voar num balão, iria bem alto, lá onde os pássaros flutuam sem nenhum esforço amparados pelas correntes de ar, veria quão pequenos se tornariam todos os problemas da vida quando vistos por outro ângulo, mesmo que de perto pareçam tão grandes, pois sinto que estaria amparado pelos braços do próprio Deus.
Se eu pudesse navegar num veleiro ao redor do mundo, faria pausas solitárias por ilhas paradisíacas, deitaria meu corpo numa praia de areias brancas com o mar lambendo meus pés e escreveria na areia o mais breve poema de um verso só: paz... Só para senti-la antes que as ondas a apagasse, para me ensinar que na vida sempre haverá tormentas.
Se eu pudesse correr feito maratonista que vence todo o cansaço e limites do corpo para chegar à vitória, correria incansavelmente por montes e vales, pois sei que em cada canto haveria uma paisagem revelando pistas de onde encontrar o divino, posto que sua face se reflete na beleza dos caminhos.
Se eu pudesse escalar os mais altos penhascos e descer os mais profundos abismos, tocaria os céus e pisaria as profundezas da terra esperando alcançar as mãos do criador ou firmar meus pés na rocha que o representa.
Não podendo fazer nada disso, calo-me.
Então, percebo quão vã e efêmera é a vida, dispo-me do manto da arrogância e das vãs pretensões e reconhecendo minhas limitações prostro-me com o coração contrito sem nada dizer. Finalmente, descubro onde posso encontrar a verdadeira espiritualidade: num lugar bem dentro de mim chamado silêncio...
(Moacir Willmondes)