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22.4.17

Desistir da vida...quem há de?!

A vida não é fácil, mas desistir dela...quem há de? 
Num dia, se sobe; noutro, se desce, mas não se pode desanimar; esse movimento é que mantém a gangorra funcionando. 
Se a gente para, a vida não tem sentido. É manter o passo firme, a cabeça erguida e o desejo de acertar. Rotina tranquila é dormir bem, com as contas pagas, a despensa guarnecida e a consciência limpa, sem medo de acordar no dia seguinte para recomeçar a luta. 
(...) Viver é representar a fragilidade das flores colhidas e a transparência dos cristais... é ter deles a leveza que entrega ao vento tudo o que não deve ficar! 
Que o vento leve toda aspereza e, no coração, só fique a veludosa textura do amor! 

(Aíla Sampaio)  

Arte: Sophie Griotto

5.9.16

Prazo de permanência...

Nunca lamente o trem perdido, 
o amor que se foi, a oportunidade que passou. 
Todas as coisas têm o seu tempo exato para acontecer e
 o seu prazo de permanência. 
O que verdadeiramente nos pertence
 nunca sai definitivamente da nossa vida. 
Pode até ir, mas sempre dará um jeito de voltar... 
Se não voltar, será o melhor que nos poderia ter acontecido.

(Aíla Sampaio)



8.7.16

Cores da vida...

Na instabilidade dos ventos estão o movimento e as cores da vida. Se é brisa, sente-se leveza, faz tempo azul de bonança e dão-se sorrisos fáceis. No vendaval, perturbam inquietações acinzentadas, preocupações que franzem o cenho e alongam os dias. Se cai um temporal, faz-se céu plúmbeo de desespero, ouvem-se gritos, escorrem lágrimas, voam páginas do livro ainda nem escrito. Nesse tempo escuro, pássaros não cantam e a alegria sofre, sepultada viva em faces contraídas. A vida assim se desenha. Cada um que pinte a sua com as cores que o coração lhe der. As tintas estão dentro de nós, não lá fora, aonde tanto procuramos.

(Aíla Sampaio)

27.1.16

***

Viver é povoar desertos, 
tentar colher flores em jardins de concreto... 
Não basta subir as escadarias e olhar o mundo. 
É preciso pular no precipício e, sem asas, 
arranjar um jeito de aterrissar;
sobreviver e continuar, continuar e continuar...
Indefinidamente e com vontade, a despeito de abismos, 
céus, medos ou coragens, lágrimas ou sorrisos.
Que a porta nunca se feche sem que tenhamos visto
 pelo menos uma flor!

(Aíla Sampaio)


17.5.15

Dias exclusivos...

Há dias exclusivos para que façamos os deveres de casa, 
tecidos mesmo com as linhas do aconchego e da ternura; 
dias para olhar pra dentro, deixar a alma hibernar,
juntar os pensamentos dispersos, equilibrar a corda bamba da vida 
e abraçar somente as nossas vontades. 
Há dias que nascem para que sejamos a nossa própria prioridade; 
para que preparemos o depois em silêncio e sem pressa...
Há dias que se querem exclusivamente nossos!

 (Aíla Sampaio)


23.3.15

Irreversíveis...

Há palavras que, depois de pronunciadas,
ecoam pelo resto da vida
maiores que quaisquer gestos que neguem outras intenções.
Há  dolos irreparáveis que repercutem no tempo
e tornam irreversível a mágoa causada.
Há dores que não latejam
mas que se podem sentir 
no silêncio das portas fechadas.
Há lugares para onde nunca se volta,
para os quais se morre ao partir.

(Aíla Sampaio)


Arte: Catrin Weilz-Stein

23.10.14

Amor próprio...

Se eu posso te dar um conselho, eis aqui: 
Não mendigue atenção de quem quer que seja. 
Não se esforce para compartilhar minutos com quem está mais interessado em coisas que não te incluem. Não prolongue a conversa apenas para ter o outro por perto, quando você perceber que precisa se esforçar bastante para que o monólogo vire um diálogo. Esqueça. Prefira a sua solidão genuína à pseudo presença de qualquer pessoa. Ainda digo mais: Perceba que existem pessoas que curtem dividir a atenção contigo sem que você precise desprender esforço algum. Aproveite o que te dão de livre e espontânea vontade. Dispense o que te dão por força do hábito ou por conveniência. 
Esqueça o que não querem te dar. Cada um dá o que pode.

(Mario Calfat Neto)


Algumas pessoas são árvores frondosas, 
nos protegem do sol causticante com a sua sombra benfazeja.
Outras são galhos secos, não nos podem dar o que não têm.

(Aíla Sampaio)

30.10.13

Viver...

Viver é um verbo muito delicado ...
precisa ser conjugado sem pressa mas sem demora,
na brevidade do piscar de olhos,
no ritmo exato das horas que passam irreversivelmente. 

(Aíla Sampaio)



9.3.13

Viva corajosamente

Viver é povoar desertos, tentar colher flores em jardins de concreto...
Não basta subir as escadarias e olhar o mundo.
É preciso pular no precipício e, sem asas, arranjar um jeito de aterrissar;
 sobreviver e continuar, continuar, continuar...
Indefinidamente e com vontade, a despeito de abismos,
céus, medos ou coragens, lágrimas ou sorrisos.
Que a porta nunca se feche sem que 
tenhamos visto pelo menos uma flor!


(Aíla Sampaio)




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