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30.3.12

A arte de ser feliz

(...) Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, 
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, 
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros finalmente, 
que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 

(Cecília Meireles)



28.3.12

Viver é desenhar sem borracha...

Morreu na noite de terça-feira (27/03) aos 87 anos no RJ, o escritor, desenhista,dramaturgo, humorista e, tradutor brasileiro, Millôr Fernandes.
Autor de muitas frases, textos e crônicas, foi um gênio da imprensa brasileira.




"O juízo final"

Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele: 
- Que fez você de bom na sua vida ? 
- Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi. 
- Ora - disse o Senhor - isso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante. 
- Bem - disse o milionário - eu criei indústrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condições sociais de muita gente. 
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem. 
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas indústrias. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia. 
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem cruzeiros para uma velhinha da Casa dos Artistas, outra vez contribuí com duzentos cruzeiros para o Hospital dos Alienados e outra vez contribuí com quinhentos cruzeiros para a Fundação das Operárias de Jesus. 
- Só ? - perguntou Deus. 
- Só - disse o milionário contrafeito. 
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos cruzeiros ao cavalheiro aqui e que vá para o Inferno. 
Moral: Amor com amor se paga e o dinheiro com dinheiro também. 

(Millôr Fernandes,in "Pif-Paf")


25.3.12

Faxina...



(Por Martha Medeiros)


"Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar fora alguns pensamentos indesejados,
Tirar o pó de uns sonhos,
lavar alguns desejos que estavam enferrujando...
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei...
Joguei fora a raiva e o rancor nas flores murchas,
Guardadas num livro que não li.
Peguei meus sorrisos futuros e alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência!
Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste...
Mas lá havia outras coisas... belas!!!
Uma lua cor de prata... os abraços....
aquela gargalhada no cinema, o primeiro beijo...
o pôr do sol ... uma noite de amor...
Encantada e me distraindo, fiquei olhando aquelas lembranças.
Sentei no chão,
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima -
pois quase não as uso - e também joguei fora!
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que
fazer, se as esqueço ou se vão pro lixo.
Revirei aquela gaveta onde se guarda tudo de importante: amor, alegria, sorrisos, fé...
Como foi bom!!!
Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
perfumei na esperança,
passei um paninho nas minhas metas
e deixei-as à mostra.
Coloquei nas gavetas de baixo lembranças da infância;
em cima, as de minha juventude, e...
pendurado bem à minha frente, 
coloquei a minha capacidade de amar... e de recomeçar..."





20.3.12

Somente de passagem...

Estamos de passagem nessa viagem
repleta de paradas inesperadas,
mas com emoções inesquecíveis.

(Sirlei L. Passolongo) 


16.3.12

Sensibilidade...

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita.Todo dia.
Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração.
Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.
Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada.
Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros.
Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada.
Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido. 
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.
Essa saudade, de fazer a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe. Essa possibilidade de experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que experimenta a alegria.
Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza.
Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim. 
  
(Ana Jácomo)


12.3.12

É de ver que se sente ....

Uma criança vê o que o adulto não vê.
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.
O poeta é capaz de ver pela primeira vez, o que de fato, ninguém vê.
Há pai que nunca viu o próprio filho.
Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe as pampas.
Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.
É por isso aí que se instala no coração o monstro da indiferença...
O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.

As pessoas de tanto verem as mesmas coisas, já não veem absolutamente nada.
Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos...

(Gabriel Chalita)






9.3.12

Infinitos grandes dias

A minha vida é feita de infinitos grandes dias.
E alguns deles são feitos de coisas pequenininhas 
que se tornam grandes por serem especiais demais para mim.

   (Clarissa Corrêa)


8.3.12

8 de março...



Nós, mulheres, seremos sempre...jovens, idosas,maduras, imaturas,
belas, feias, dengosas, charmosas, mimadas, vaidosas ou não ...
apaixonadas ou à espera...mas sempre, sempre,vai pulsar no nosso
peito esse coração de mulher.
Coração que ninguém entende ...
Mas que sabe muitas vezes adivinhar a vida!  

( Letícia Thompson )

6.3.12

Leveza

A leveza é dom.
Aprecio os que sabem viver no pouco, os que viajam com poucas malas e os que descobriram que, ao contrário do que pensamos, as coisas não nos deixam mais ricos,apenas mais pesados.
Infeliz é aquele que se identifica com o que tem.

Aquele que não sabe diferenciar a felicidade das realidades materiais.

Do livro: Tempo de Esperas
(Pe.Fábio de Melo)



1.3.12

Sapiência...


Tudo tem seu tempo e até certas manifestações mais vigorosas e originais entram em voga ou saem de moda.
Mas a sabedoria tem uma vantagem: é eterna.

"A verdade é geralmente vista, raramente ouvida."



(Baltasar Gracián)-prosador espanhol do séc. XVII




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