Se a vida lhe parecer vazia, preencha-a!
Comece por cultivar jardins entre os lábios, verá que as palavras cuidadas com carinho tornam-se botões de flores desabrochando nos ouvidos que as acolhem.
Algumas vezes, sorria de você mesmo, seja de uma gafe ou de um semblante amarrotado ao acordar numa manhã de chuva. Sua autoestima ficará leve como um balão colorido, sem os pesos de querer andar sempre em dia com o espelho ou com o que as pessoas esperam de você.
Construa um barco, pode ser de papel, escreva nele suas ansiedades mas não o lance numa enxurrada qualquer, transforme-o em uma prece e verá que ele viajará longe só para buscar os frutos da sua fé.
Permita-se sonhar mais, sem se importar com o que vão pensar a seu respeito. As opiniões alheias são como uma mola, pode impulsionar você para o alto ou para um abismo.
Quando puder, faça um ninho, pode ser de algodão ou palha. Deixe-o vazio. Só para fazer você perceber que uma vida sem filhos não é o fim do mundo. Mas, havendo filhos, o ninho vazio lembrará você que um dia ele precisarão voar sozinhos, estando o ninho dos seus braços eternamente disponível para eles.
Faça de sua casa um refúgio. O mundo inteiro pode desmoronar, mas sua casa precisa estar de pé, e mesmo que um dia ela balance, nunca se canse de reforçá-la, pois é nela que seus pés cansados procurarão um tapete macio e sua cabeça um apoio nos dias difíceis.
Não perca muito tempo com quem não se preocupa com você. A vida é breve, alguns trechos da caminhada precisam ser percorridos sozinhos. Percorra-os!
Não faça do tempo um fantasma, senão ele assusta você. Prefira aceitá-lo quando ele parecer inesperado e intenso, mas espante-o quando se tornar monótono e tardio.
Descubra o valor das pequenas coisas: o cheiro bom de café numa manhã de chuva, o pijama de flanela numa noite fria, o encontrar de um dinheiro esquecido no bolso do casaco desde o último inverno, a lembrancinha inesperada recebida da amiga que viajou e lembrou de você, a surpreendente aparição da lua cheia numa noite solitária, a lembrança de um momento bom do passado que marcou, a música que sempre arrebata seus pensamentos a um lugar maravilhoso.
Por fim, se ainda assim a vida parecer vazia, siga os conselhos poéticos de Baudelaire, embebede-se, “Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é Vossa. Mas embebedai-vos!”
(Moacir Willmondes)