Amizade vai além do momento. É comum ser amigo de contextos idênticos e se distanciar com os hábitos diferentes. Quando você está solteiro, o normal é fazer cumplicidade com quem frequenta festas e não se apega a uma relação. Quando está casado, o normal é criar laços com outros casais e privilegiar jantares e viagens. Quando está com filhos, o normal é sair com quem também está conhecendo as manhas e as longas manhãs dos bebês. Amizade verdadeira ultrapassa a normalidade e o oportunismo do convívio. Estas nem são amizades verdadeiras, mas afinidades circunstanciais. São colegas de uma época, de uma fase, de um estilo. Acabam unidos provisoriamente por um gosto, circunscritos a uma vizinhança etária. Desaparecem diante de nossa primeira mudança, de nossa primeira transformação de personalidade. Permanecem quando há um interesse imediato, um arranjo benéfico do cotidiano, e somem quando não existe mais uma desculpa para se ver e se ouvir. Dependem de um pretexto para se manter próximos. Os conhecidos da academia ficarão no passado dos halteres assim que cansarmos dos treinos. Os conhecidos da faculdade ficarão na lembrança do quadro-negro assim que nos formarmos. Os conhecidos dos cursos de idiomas ficarão nos livros de exercícios assim que dominarmos uma nova língua. Amigo mesmo é o que não experimenta uma fase igual e permanece junto. Quebra o espelho e não se machuca com os cacos. Amigo mesmo é o que não tem filho e vem brincar com nossas crianças, não reclama dos gritos e dos choros e não diz que “pela trabalheira, não pensa em ser mãe ou ser pai tão cedo”. Não se justifica, está lado a lado qualquer que seja o cenário. É aquele que se separou e não amaldiçoa nossa paixão recente. É aquele que não tem emprego fixo e não inveja o nosso sucesso. É aquele que não tem nenhum problema grave e escuta com paciência e atenção as nossas lamúrias. Não é o de empatia fácil, feita de experiências semelhantes: só porque atravessa a fossa entende a nossa fossa, só porque transborda de alegria festeja a nossa alegria. Amigo não dá nem para contar nos dedos, pois sempre estará segurando nossa mão.
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21.2.18
14.2.17
Não sei o que está acontecendo...
Não há maior
burrice do que parecer inteligente e exibir somente respostas afirmativas
para qualquer tema. Os sábios não
são aqueles que conhecem tudo, mas são os que têm a coragem de dizer não sei.
São simples,
diretos, verdadeiros.
Inteligência é
também a humildade de se calar. Quem diz 'não
sei' vai aprender.
Quem diz que
sabe e não sabe jamais vai crescer.
Todo mundo quer
ser Google. Ninguém mais
pergunta nada.
As pessoas têm
vergonha de suas dúvidas. As pessoas têm
vergonha de errar.
As pessoas têm
vergonha de sua curiosidade.
As pessoas
preferem concordar sem parar para enganar os outros.
Todos professam
conhecimento de modo intransigente, opinam sobre qualquer coisa, exercem uma
rede de certezas que me
deixa sem graça. Parece que virou crime dizer 'não sei'.
É tanta
prepotência que são capazes de fingir que estão entendendo o assunto para não
correr risco de estar em desvantagem.
É uma ausência
de honestidade no trabalho, no amor, na amizade.
É uma ausência
de honestidade na balada, no bar, no boteco.
Diga mais
"não sei" para realmente amadurecer do que um "eu sei"
falso para terminar a conversa.
(Fabrício
Carpinejar)
20.10.14
Manifesto pela maciez...
Esqueça a terminologia psiquiátrica, os tipos de transtornos.
Vou facilitar sua vida. Há somente dois tipos de pessoas.
As pessoas macias e as pessoas duras.
As pessoas macias e as pessoas duras.
As pessoas macias não são gordas. Não é isso. Podem ser magras.
A maciez é um traço de personalidade.
Gente doce, afetiva, abraça com calma, escuta com interesse.
A maciez é um estado de ternura. A pele recebe, os olhos recebem, há uma tranquilidade calorosa, uma vontade de permanecer falando à toa.
Maciez é uma generosidade natural.
A pessoa macia é ótima para dar colo, e guardar confidências.
Você está triste e a pessoa macia logo nos cuida.
Você está feliz e a pessoa macia aumenta nossa felicidade.
A pessoa macia canta suas músicas prediletas no box. Brinca com crianças. Para na rua a elogiar os cachorros na rua. Demora a sair da mesa.
Gosta do seu trabalho e não reclama mesmo quando está doente.
Já a pessoa dura é inflexível, teimosa, orgulhosa.
Logo que nos aproximamos e ela já solicita espaço, evita o maior contato.
Ela não abraça, mas esbarra. Bate nas tuas costas como se fosse porta.
Não beija as bochechas, beija o ar.
Está sempre falando mal de alguém ou de si mesma.
A pessoa dura é de madeira, de ferro. Não se emociona. Não ri.
Não fica muito tempo casada com ninguém.
Ela se diz independente, mas é fóbica de intimidade.
Não suporta bebês, odeia a família dos outros, sexo é apenas ginástica.
A pessoa dura é fácil de identificar.
Você fica pesada depois que a encontra.
Você se sente mal. Explorada. Esgotada.
Você se sente mal. Explorada. Esgotada.
Você parece que perdeu sua alma depois de conversar com ela.
28.7.13
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