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24/08/2011

É preciso não esquecer nada...


nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

(Cecília Meireles) 



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